Sinalização de trânsito destruída inaugura a Semana Nacional do Trânsito em Blumenau

Das duas uma: ou os motoristas que trafegam pela rua Emílio Tallmann são muito ruins e não conseguem dirigir em linha reta ou a tentativa de destruir os elementos de sinalização viária  tipo lápis é uma forma de protestar pela não colocação de faixa elevada naquele local. Há pouco mais de um mês de instalada a pintura branca tem marcas de pneus e os elementos refletivos de sinalização viária (tachões) estão danificados, quebrados e alguns foram até arrancados. Detalhe: a sinalização amarela que delimita a área de pavimento não utilizável do asfalto e que canaliza o trânsito em mão e contramão permanece intacta em um indicativo de que os motoristas ou sei lá quem quer que seja sabe bem a diferença entre um tipo e outro de sinalização. Cabe lembrar que destruir, depredar, inutilizar ou deteriorar a sinalização de trânsito, vandalizar o patrimônio público, é crime de acordo com o inciso III do artigo 163 do Código Penal Brasileiro e a pena é de detenção de 1 a 6 meses ou multa. Identificado, aquele que destruiu ainda deve indenizar a prefeitura pelos danos causados.

(Foto: Divulgação)
E nunca é demais lembrar e esclarecer que transitar sobre marcas de canalização é infração gravíssima e a multa multiplicada por três, o que dá a bagatela de R$ 880,41 mais 7 pontos no prontuário do condutor infrator (artigo 193 do CTB). O mesmo tipo de multa e penalidade para quem transita em ciclofaixas, ciclovias, nas calçadas, ilhas, gramados e jardins públicos, diga-se de passagem.
(Foto: Divulgação)
Talvez pouca gente saiba, mas muitas pessoas na cidade já foram parar na delegacia e passaram a responder por crime de furto com base no artigo 155 do Código Penal, justamente por levarem cones de sinalização, fitas demarcadoras e placas de trânsito para casa. Agora, uma pergunta que muitos já se fizeram: o que uma pessoa vai fazer com uma placa de sinalização, tachas e tachões refletivos, placas e cones de sinalização em casa? Decorar o ambiente com elementos de segurança viária que pertencem à população, que são comprados e pagos com o nosso dinheiro para sinalizar as vias para a nossa segurança?

Falando sério: faixas elevadas não são redutores de velocidade e a sinalização tipo lápis que usa as Marcas de Canalização como Redutor de Velocidade (MCRV) é bem visível, o espaço reservado aos pneus dos veículos é largo até para caminhões e dá para passar folgado com os veículos desde que na velocidade da via. Eu disse na velocidade da via!

Falta de educação na Semana Nacional do Trânsito
Bem quando começa a Semana Nacional do Trânsito, aclamada em todo o país como uma data para pedir às pessoas, dentre outras coisas, que respeitem as leis de trânsito, as placas e a sinalização, fica em evidência a sinalização destruída! Bem na semana para tentar sensibilizar para a importância de reduzir a velocidade, para não cometerem infrações e impedir que elas se transformem em acidentes!

Bem na semana em que trânsito seguro vira pauta garantida de 18 a 25 de setembro e organizam-se algumas ações pela cidade registram-se imagens como essas: de destruição e depredação de uma sinalização de trânsito que foi instalada no local justamente para fazer com que os motoristas reduzam a velocidade para não provocarem acidentes, para não se matarem e não matarem os outros no cruzamento poucos metros adiante. Local, que inclusive, é um ponto negro com registros recorrentes de acidentes.

Para se colocar esses tachões com pinos no asfalto é feita a perfuração com furadeira de impacto e broca de vídea somado à aplicação de massa, resina e catalisador para garantir a fixação, aderência e resistência aos impactos, solavancos e outras forças que possam desestabilizar os elementos de sinalização viária. Ou seja, não é tão fácil assim arrancar os tachões somente pela ação do tráfego.

Bem na dita semana reservada aos apelos por respeito, civilidade, educação no trânsito, e também na semana em que o CTB completa 20 anos de existência, colocam em evidência a falta de respeito, a falta de educação e a os sinais de depredação de um equipamento público que levaria anos para se desgastar em condições normais. Desserviço, tempo e dinheiro público jogado fora por quem deveria zelar por eles: os próprios cidadãos.

Onde segurança no trânsito é levada a sério trabalham-se para cortar o mal pela raiz e não para jogar o bebê fora junto com a água do banho como se faz por aqui. Se o problema é o excesso de velocidade e se quem acelera é cada um que está dirigindo, cortando-se o mal pela raiz dispensariam-se os pedidos e os protestos por redutores de velocidade. O melhor deles chama-se pedal de freio!

É claro que os elementos de sinalização viária mudam as práticas das pessoas em via pública, mas não existe sinalização no mundo que as faça agirem com mais cidadania, respeito e educação porque isso vem de berço. Para o gado, mourões, cercas e mata-burro para que não excedam os limites. Para os motoristas bastaria a consciência de que velocidade provoca acidentes, aumenta a gravidade das lesões e também mata.

Mas, em vez de respeito e conscientização, de uma forma cinicamente implícita querem manter a teimosia de acelerar demais e, em compensação, generalizar o uso dos redutores de velocidade, que obedecem as leis de trânsito e as Resoluções do Contran que todos deveriam respeitar. Essas medidas devem ser utilizadas com critérios, até para não comprometerem a segurança das pessoas e a fluidez do tráfego. Gente, faixa elevada não é redutor de velocidade! Aceita que dói menos!

Passar por cima das marcas de canalização só vai piorar as coisas, colocar à todos em risco e assumir a multa por infração de trânsito no valor R$ 880,00, além da condução à delegacia e responder a um processo por depredação ou furto do patrimônio público. Vai causar mais prejuízo ainda porque a Administração Pública vai gastar ainda mais para repor o que for danificado. Sinalização viária é Engenharia de Tráfego, é decisão técnica baseada em leis que devem ser cumpridas.

É curioso que no país em que se quer resolver tudo com a criação de leis e mais leis que não são respeitadas, cumpridas e fiscalizadas haja tanta mobilização e pantomimas quando sequer as leis de trânsito, sinalizações e placas são respeitadas pelos usuários do trânsito.

Ah, só para lembrar: hoje começa a Semana Nacional do Trânsito e no dia 23 o CTB completa 20 anos, mas parece que o que não evoluiu muito nesse tempo todo foi a civilidade, o respeito às leis, à vida e a conscientização para um trânsito seguro.


Texto: Márcia Pontes | Via: Especialista em trânsito de Blumenau
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